sábado, fevereiro 5

A adaptação necessária para a evolução dos ecossistemas

Antônio Roberto Mendes Pereira

A diversidade de seres, suas formas, cores e comportamentos são o resultado da evolução. A evolução acontece acompanhada da adaptação. Antes de dar continuidade ao artigo se faz necessário apresentar um conceito de adaptação: “É a capacidade que os seres vivos têm de sobreviver em determinados ambientes, e deixar descendente mais adaptado aquele meio”, como exemplo pode-se frisar o camelo que tem a capacidade de reservar água para poder viver nos desertos, o camaleão muda de cor dependendo do ambiente que esta.

Em cada espaço ou ambiente novo que chegamos sempre estamos buscando nos adaptar. Adaptação com as pessoas, com os objetos, com as ferramentas, com o clima, com a alimentação, com o espaço, com as formas, com a cultura, é uma busca permanente. Todo este processo podemos dizer que são formas para se evoluir. E o maior instrumento de adaptação do ser humano é sua inteligência e sua capacidade de aprender e transferir informações.

Ao irmos passar alguns dias na casa de algum parente ou amigo, somos muitas vezes saudados com a seguinte frase “Seja bem vindo, fique a vontade a casa é sua”, esta expressão é como se fosse um passaporte para a nossa adaptação aquele ambiente. A permissão para usarmos nossa curiosidade e conhecer o espaço nos foi permitida, autorizada.

Se formos comparar o nosso comportamento cultural, ao conhecer-mos uma pessoa e começarmos a conviver com ela, após alguns meses de convivência achamos que sabemos tudo sobre aquela pessoa, e que já estamos adaptados a ela, no Big Brother (programa exibido pela Rede Globo), percebe-se claramente estes comportamentos, com pouco tempo de convivência os participantes demonstram e explicitam que já conhecem os demais participantes há anos. Se for-mos relacionar tempo de existência versus adaptação vamos comprovar que quanto mais tempo se  convive, habitando o mesmo ambiente maior é probabilidade de adaptação, por isto tem um dito popular que diz “precisamos comer 1 kg de sal juntos para te conhecer melhor”.

O aquecimento global que ora nos afeta vai exigir a adaptação dos seres vivos a este novo fenômeno ambiental. Talvez muitas espécies desapareçam, mas com certeza podemos afirmar que precisamos evoluir para poder suportar a estas mudanças climáticas. A adaptabilidade é a palavra de ordem para os novos tempos. Precisamos rapidamente entender e perceber este processo evolutivo que a natureza utiliza para fazer o novo e o inovador o adaptado.

 E a cada geração que vai sendo nascida a adaptação ao espaço que se vive aumenta consideravelmente. O ambiente nos convida a acompanhar as mudanças que ocorre no mesmo. Esta capacidade de adaptação não são dádivas unicamente dos seres humanos, mas todas as espécies vivas são dotadas desta capacidade. A evolução não é igual para todos, vai depender do grau de desenvolvimento que o ser se encontra. Mas todos independentemente do grau e do espaço que ocupa caminha para a uma evolução permanentemente.

O processo de evolução imposto pelo homem em determinadas situações é apressado, ás vezes não tendo tempo suficiente para que as adaptações necessárias ocorram. E muitas das vezes os resultados não são da maneira que se pretendia alcançar. Como exemplo pode-se frisar as várias tentativas feitas por vários agricultores de impor uma determinada cultura numa determinada área que não é o ambiente adequado para a mesma, plantar pêra no sertão pernambucano, por exemplo, é querer forçar a barra. Criar uma cabra Saanen nas regiões semi - áridas é forçar a natureza da natureza. Diante desta tentativa o insucesso é garantido. As culturas e as criações até a sua adequação necessitam de tempo, às vezes um tempo que não é o tempo humano. Para a natureza o tempo não existe, o tempo medido é coisas dos homens racionais que tudo quer medir, quantificar, mensurar.

Quando tomamos posse de uma propriedade rural imediatamente este processo de adaptação inicia-se. Buscamos logo identificar onde vai ser construída a habitação e todos os demais espaços necessários, a horta, o galinheiro, o curral, a pocilga, o roçado, etc. A projeção e a manutenção destes espaços vai levando as pessoas a ver onde podemos melhorar e o que devemos fazer para que cada vez mais este espaço possa responder as nossas demandas.

Com os vegetais este processo também acontece, e por as plantas terem surgido no planeta primeiro que os seres humanos a sua capacidade de adaptação é muito mais intensa e mais acomodada, pois têm séculos de evolução à frente dos seres humanos. As suas capacidades de adaptação com certeza é mais rápida e perceptível é claro a depender da espécie e do ambiente.

A domesticação também é uma forma de evolução acompanhada da adaptação. O homem vem tentando domesticar muitas espécies de seres, inclusive as plantas. Todas as plantas cultivadas foram domesticadas e por conta desta domestificação muitas delas hoje não conseguem viver sem a presença do homem seu domador, como por exemplo, as variedades de milho hoje existentes e comercializadas estão em um nível de domesticação que não consegue mais nascer, crescer e produzir sem ter o manejo humano lhe acompanhando. Até que ponto isto é bom não se sabe.

A sucessão natural dos vegetais é a comprovação da adaptação e evolução dos ecossistemas. O vegetal que hoje cresce naturalmente numa determinada área tem uma função especifica além de muitas outras, a de preparar este espaço para a próxima espécie. Ela tem a capacidade de aumentar a fertilidade do solo, do acumulo de água, do nível de matéria orgânica do solo e consequetemente à diversidade de espécies nesta área.

A lógica da Sucessão natural e as plantas indicadoras

Na natureza, os seres vivos estão em constante evolução como comentado anteriormente. Sempre há necessidade da própria adaptação e da evolução dos espaços para as novas realidades. A sucessão das espécies é o caminho que a natureza encontrou para criar uma vegetação cada vez mais rica, alta, frondosa, até chegar ao sistema de vida ideal para cada lugar. A natureza nunca fica parada, ela sempre evolui e caminha no sentido de aumentar a vida, até chegar a um sistema de fartura e abundância independentemente do ambiente.

Ao contrário do que acontece no sistema natural, o sistema agrícola tradicional praticado pelos agricultores que insiste em manter parado ou retornando aos estágios anteriores, isto é regredindo não permitindo que o sistema avance para a abundância. A perturbação humana nos ecossistemas sempre faz com que o mesmo regrida, não avance. A monocultura e todo seu manejo é uma forma de impedir a evolução dos ecossistemas cultivados.

Em um processo de sucessão natural percebe-se que, sobre as rochas surgem musgos e liquens, que são adaptados a essa condição de vida. Porém, o próprio trabalho desses seres, ajudam a formar o solo e, em solos ainda rasos e compactados, eles darão lugar a outras espécies mais adaptadas, como a tiririca. Essa, com o seu desenvolvimento, ajuda a desenvolver um pouco mais o solo e acabará dando lugar a uma outra planta, como as gramas e, assim, sucessivamente. O esquema abaixo tenta ilustrar este processo natural.



Liquens         Tiririca        Grama       Guaxumas          Milhã          Caruru         Picão        SerralhaE toda esta sucessão caminha para um ecossistema abundante, mais completo, mais diversificado. Tornando cada vez mais o sistema capaz de sustentar mais vida.
Quando queremos implantar o nosso roçado, normalmente enxergamos o mato como um empecilho e tratamos de eliminá-los, seja com uma enxada, ou até, com Mata mato (herbicidas). Agindo assim, sem querer acabamos invertendo a sucessão natural. Eliminando a serralha e o picão, estamos contribuindo para compactar um pouco o solo e dando condições para o desenvolvimento do caruru e da milhã. E que logo após caso se continue com o mesmo manejo o solo vai estar tão compactado (duro) que vai aparecer grama, a tiririca... Observe o esquema acima e perceba o retrocesso do processo evolutivo. É necessário que os agricultores percebam e entendam a natureza com outros olhos, imitando os processos de sucessão para a evolução imitando este processo nos roçados.

Isso explica porque em determinados áreas ou roças predomina um tipo de planta e não outro e por que em uma roça é tão fácil controlar o mato (ervas) e em outra é tão difícil. A palavra-chave nesse sentido é APTIDÃO.

Ao longo de milhares de anos, as plantas foram se adaptando a determinados tipos de solo, clima e interações com o ambiente, como frisado anteriormente. Assim, quando temos um solo ácido, por exemplo, plantas que desenvolveram uma aptidão natural de desenvolvimento radicular que suporta a acidez, crescem normalmente, enquanto que outras terão dificuldades em se desenvolver, perdendo na competição por espaço e nutrientes, vindo a desaparecer. Assim, as plantas com essa aptidão natural podem ser "indicadoras" de solos ácidos, quando são predominantes em um ambiente. Por isto é tão importante conhecer e perceber este processo sucessional, eles nos mostra claramente através das plantas INDICADORAS o que esta acontecendo naquela área.

Muito há para ser descoberto nessa área. Algumas plantas são bem conhecidas como indicadoras; outras estão em fase de observação, precisando da sua ajuda, da sua pesquisa, observações. Crie na sua propriedade uma lista de plantas indicadoras.

Azedinha ou trevinho (Oxalis oxyptera) indicadodra de terra argilosa , Ph baixo,deficiencia de cálcio e Molibdênio
Beldroega – Portulaca oleracea -Planta indicadora de solo fértil além de ser comestível
A domestificação das plantas feitas pelo homem levou estas a serem adaptadas a solos férteis e arejados (fofos, soltos) e não conseguem competir com as plantas nativas principalmente as ervas que são adaptadas ao solo que utilizamos. Porém, com o melhoramento do solo, as plantas cultivadas se "sentem em casa" e se desenvolvem tão bem que muitos agricultores não vêem problemas em deixar o mato crescerem junto com a cultura. Geralmente, o mato que ali aparecem são indicadores de solos férteis e arejados, como a serralha. Mas é bom lembrar: assim como as ervas, nem todas as culturas são adaptadas a solos férteis. Muitas culturas são adaptadas a solos ácidos e pouco férteis, como a mandioca, abacaxi, batata doce, berinjela entre outras.

Da mesma forma que o homem evoluiu tentando se adaptar aos novos ecossistemas as plantas foi muito mais rápidas e eficientes. É bom salientar que sem as plantas (seres produtores) os animais inclusive o homem não existiria. Aprenda com elas, imíti-as.

Adiciona Imagem disponível: http://sites.google.com/site/ifofofof/psicologiasocial legenda
                                                       
Roberto Mendes - Técnico, Pedagogo e Permacultor, Especialista em Metodologia da Educação Ambiental
05 de fevereiro de 2011

4 comentários:

  1. Roberto esse foi o primeiro texto que lí. Mas te garante que nao vai ser o unico pois cada paragráfo que lí fez aumentar cada vez mais a vontade de conhecer a Permacultura. Aguardo anciosamente a porxima semana de aula lá em Ibimirin.

    Elton Aluno do SERTA.

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  2. ME ajudo bastante muito obrigaado

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  3. Preciso do desenvolvimento da Ecossistema

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  4. Você está procurando um emprestador de empréstimo legítimo? ? Você realmente precisa de empréstimo urgente para iniciar seu próprio negócio? Você está em dívida? Esta é a sua chance de alcançar seus desejos e damos empréstimos pessoais, empréstimos comerciais e empréstimos corporativos e todos os tipos de crédito de 2% por anulação para mais informações entre em contato conosco pelo e-mail beverlyloan.institute@gmail.com

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