segunda-feira, novembro 3

O que observar da natureza para imitá-la - Olhando com os olhos de querer vê

Antônio Roberto Mendes Pereira

Não é fácil saber como imitar a natureza. São muitos detalhes que os nossos olhos podem ver quando se observa e em especial uma paisagem natural. Treinar nossos olhos para saber o que olhar diante do todo da natureza é o objetivo deste texto. Olhar e buscar compreender como aquele espaço foi organizado, tentar entender o porquê um determinado elemento está localizado próximo daquele outro, e o que os une, são tarefas não muito fáceis se nós não treinarmos os nossos olhos para tal propósito. E isto só se aprende observando.


A tarefa não é imitar unicamente o formato dos elementos, mas a lógica que os une naquele contexto da realidade. 

As exposições que irão ser apresentadas são experiências reais vividas durante a aprendizagem de aplicação da Permacultura. Olhar com os olhos de ver é o que se pretende o que se pretende ensinar.

OBSERVAÇÕES NECESSÁRIAS

Quais os elementos que compõe o espaço observado? – Reconhecer os elementos que fazem parte deste espaço de recorte observado é de suma importância, para buscar o entendimento dos acontecimentos que surgem por estarem juntos. As propriedades emergentes surgem quando os elementos se encontram e se combinam, surgindo o novo ou um novo acontecimento, um fato, ou qualquer outro fenômeno que até então não aconteceria, e só está acontecendo porque houve este encontro natural espontâneo ou até provocado.

Tem alguma coisa, ou motivo que une os elementos principalmente nos que estão localizados mais próximos – Tente identificar o que os une. Que elos são estes e se estão entrelaçados aumentando a resistência da existência e da permanência dos mesmos naquele ambiente.

Eles se beneficiam de algum outro elemento, ou fenômeno? – Tente também verificar se algum fenômeno maior está aumentando estas ligações ou conexões. Pois normalmente na natureza são redes dentro de redes e ou sistemas dentro de sistemas, logo com certeza um sistema menor irá está conectado com sistemas maiores.

Eles estão juntos em todos os momentos? Ou apenas em algumas estações? – Estas combinações ou relações vão continuar? irão ter perpetuidade por mais algum tempo? Ou foi localizada e de pouco tempo?

Os elementos irão ter continuidade presencial mesmo depois que cumprir sua função? – Será que o elemento após ter suas necessidades atendidas irá continuar com a parceria ou combinação com os demais, ou vai se retirar do espaço? É um detalhe a ser observado. Por exemplo, tem algumas árvores que em determinado período do ano soltam suas folhas e é claro que este processo irá ativar a presença de alguns elementos vivos que irão tirar proveito daquela quantidade de matéria  orgânica depositada e disponível no solo. Mas com certeza este processo terá início, meio e fim. Logo, este processo de parceria pode ser passageiro. 

O que provoca a integração entre estes elementos? – É o clima? A presença de água? A quantidade de matéria orgânica? A sombra? A luminosidade? O frio? O calor? A fertilidade do solo, ou algo mais?

Muitos elementos existem no ambiente que facilitam, provocam ou concorrem para esta agregação, ou presença.

A presença de umidade - Cria ambientes propícios para o aumento de vida e logicamente o aumento de conexões. A presença de uma grande quantidade de plantas de grande porte está nos dizendo que existe uma boa quantidade de água armazenada no solo. Estes solos conseguem armazenar água para fornecer posteriormente a toda vida que esta se formando ou que já reside neste ambiente. Vegetação pequena, seca e de folhas estreitas normalmente são indicadores de áreas de pouca capacidade de reserva de água ou de estações de inverno pequeno.

Uma fonte de alimento - Permanente ou temporária, e um bom exemplo é a presença de matéria orgânica cobrindo os solos. Lembrando que quanto mais variada for esta matéria orgânica mais biodiversidade de fauna e flora o ambiente terá, o que é muito bom. Observe a quantidade desta matéria orgânica por metro quadrado, junte, colete e pese, verifique a diversidade deste material se é rico em quantidade e em espécies. Tente identificar se encontra neste material a presença de esterco de animais e de que espécie será.

Precisamos também estar atento para as fontes de alimentos in natura, frutas, frutos, cascas, folhas estes também fazem parte da reserva alimentar do espaço. É biomassa para atender a demanda dos seres consumidores que fazem parte deste bioma natural.

Microclimas – Uma combinação de vários elementos que compõe o clima (precipitação, temperatura, etc) provocam o surgimento de microclimas que facilitam o surgimento e o aumento de mais vida no ambiente. 

Observe se existe microclima particular dentro do ambiente observado, e tente descobrir quais os fatores que concorreram para este acontecimento.

O aspecto do terreno – De que lado está exposto o terreno, ou o plantio em relação ao sol, ao vento e as chuvas. Quanto mais atende-se a demanda dos elementos cultivados ou criados, melhor seu desempenho produtivo. 

Tem plantas que preferem uma maior quantidade de luz solar logo verifique se ela esta bem localizada em relação ao sol, outras menos, alguns tipos necessitam de mais água, outras de menos. E a escolha de qual aspecto vai ser cultivado contribui enormemente no sucesso da atividade.

Em relação ao solo – Se ele é raso, profundo, escuro, claro, protegido ou desprotegido são informações que fazem a diferença no decifrar na paisagem o que une e organiza os elementos. Este procedimento facilita a tomada de decisão na escolha do que se vai pretender fazer para produzir e como organizar seu espaço produtivo imitando os processos de organização natural. 

A cor dos solos são grandes indicadores de qualidade e composição, logo é de suma importância também a observação deste detalhe do componente.

Se existi uma boa biodiversidade de vegetais e animais – A presença de uma boa biodiversidade nos indica a riqueza do ambiente para sustentar toda esta quantidade de vida. Quanto mais o ambiente consegue sustentar sustentavelmente toda vida do ambiente cultivada, criada ou espontânea mais sustentável é este meio. E entender a teia alimentar que une é imprescindível.

O caminho das águas – É outro fator importantíssimo para ser reconhecido. Com esta informação e marcação pode-se utilizar tecnologias para captar e armazenar as águas de escorrimento tendo certeza por onde ela escorre construindo seu caminho.


O sombreamento da área – Todas as plantas necessitam de luz solar, pois sem ela não acontece a fotossíntese. Mas também uma radiação exagerada pode prejudicar o desenvolvimento normal de muitas plantas. Recomenda-se que uns 30% de sombreamento é ideal para que a maioria das plantas possam se desenvolver normalmente, utilizando ao máximo a luz na fotossíntese. Logo, áreas muito sombreadas necessitara de uma intervenção humana para ajustar tal luminosidade, caso esta área vá ser cultivada. Este sombreamento deve ser espalhado e não concentrado. Aprenda com a natureza observada como ela ajusta esta quantidade de luz as espécies do local. Observe cuidadosamente como ela distribui estas plantas neste ambiente.


Vento excessivo – impede as plantas de fazerem fotossíntese adequadamente, pois parte do carbono, elemento essencial nesta tarefa trófica, é retirado da área pelo vento, diminuindo a presença do mesmo no local. 

Todos estes elementos precisam serem observados, pois eles irão nos orientar ou melhor direcionar o como operacionar nossa prática.

Os animais e insetos e seu comportamento no ambiente – Observe que tipo de vida animal se faz presente neste espaço, veja o que fazem, o que comem, se dão preferencia por folhas, frutos ou até cascas e flores. Qual tipo de árvores ou arbustos eles visitam com frequência (plantas forrageiras). Se passam muito tempo neste espaço, se constroem tocas ou já habitam este espaço. Se descanção ou até dormem em algum espaço especial. Todas estas informações irão nos ajudar a entender o espaço e as relações destes com os demais seres que também habitam ou convivem neste espaço. Algumas observações destas podem nos guiar a descobrir plantas forrageiras que podem servir de alimentos nativos sem serem plantadas para os nossos animais que irão ser criados.

Estes animais ou insetos estercam neste ambiente? É mais aves? Repteis? Tem presença de anfíbios? Estes são ótimos indicadores biológicos de áreas equilibradas.

Filtros naturais – Nesta área tem áreas alagadas, charcos, normalmente estas áreas executam uma função muito importante que é a de filtrar as impurezas das águas de escorrimento, sedimentando argilas, areia e até matéria orgânica para serem decompostas. São áreas que trabalham as águas para que elas estejam sempre em estado de pureza complementando a tarefa do ciclo da água do ambiente observado. Esteja atento.


Presença de pedras – Observe se existe afloramento de pedras no ambiente, se são pedras pequenas ou grandes lajedos, qual a cor destas pedras. Lembre-se quanto mais escuras forem mais ricas em minerais. Grande quantidade de pequenas pedras espalhadas em toda área podem nos dizer que estes solos são jovens. É bom saber também que grandes pedras também ajuda na formação de microclimas na área onde sua presença é marcante.


A temperatura do ambiente – Verifique se a temperatura do ambiente nas horas mais quente do dia se é confortável ou mais amena? O que você sente climaticamente falando? Se é confortável para os animais talvez também seja confortável para você, observe o comportamento dos animais em relação ao clima.

A forma e padrão das plantas – Qual o formato das plantas grandes? É em formato de taça, com copa espalhada ou densa? Folhas largas ou estreitas? Tem presença de plantas com muito espinho e acúleos? Esta caracteristica pode nos indicar como é o ambiente, se ele é hostil, se está se defedendo ou expulsando seres que só destroem. Tem muitos predadores? É mata fechada ou rala? Qual o bioma que esta área está presente? Busque mais informações sobre este bioma e compare se existe veracidade comparativa com suas observações, aprenda com o ambiente, ele te diz muita coisa.

Quanto mais se observa mais se aprende sobre este espaço, sobre seus elementos e suas relações. O entendimento destas relações, combinações ou ligações devem ser o objetivo maior da observação. Primeiro identifique o que tem e depois vá imediatamente para descobrir o que os une.


03 de novembro de 2014

segunda-feira, setembro 1

Planejando para colher todos os dias. Café, almoço e janta sendo colhidos todos os dias na pequena propriedade rural

Antônio Roberto Mendes Pereira

A necessidade de comer 03 refeições durante o dia faz parte da nossa cultura, mas nem sempre produzimos estes alimentos, temos normalmente que complementar estas refeições com alimentos comprados, vindo de fora da propriedade rural. A intenção da Permacultura na zona 01 e 02 é poder ter durante todos os dias do ano alimentos que possam atender a esta demanda ininterruptamente, atender a autossuficiência alimentar. O que devo plantar vai depender dos hábitos alimentares da família e de alguns fatores ambientais ligados ao clima, solo, disponibilidade de água, etc.. A disponibilidade desses alimentos também está diretamente ligada ao tamanho da família, logo se exige um planejamento, uma projeção do que se quer e o que o ambiente pode oferecer.

A intenção deste texto é trazer dicas e estratégias que possam ajudar na construção deste planejamento produtivo, tendo como orientação “O poder colher todos os dias” ininterruptamente alimentos limpos e sadios. Será mesmo isso possível? Se for possível o que fazer para ter esta fartura garantida permanentemente? Como fazer para ter sempre?

O PRIMEIRO PASSO PARA ALCANÇAR ESTE CAMINHO

Vamos primeiro suprir a necessidade de ter mais informações sobre as culturas e os animais que vão compor o ambiente da zona 01 e 02 que são justamente as áreas dedicadas à segurança alimentar da família. Estas duas zonas deverão ser encarregadas de suprir estas colheitas diárias, pelo menos 03 vezes ao dia. O conhecimento de tempo, necessidades de luz, de água e de nutrientes, irá ser a base para a projeção deste calendário de plantio. Seria interessante fazer a assembléia das plantas e dos animais que poderão fazer parte do ambiente cultivado como uma colheita de informações para a tomada de decisões no planejamento. Vejamos um exemplo:

Assembléia dos elementos de uma propriedade é a tentativa de entender como criar relações entre os elementos que irão fazer parte do agroecossistema que se está tentando edificar. Identificar as necessidades destes elementos em questão, as funções que estes elementos irão desempenhar dentro do sistema e qual as produções esperadas por estes elementos é o que a assembléia de elementos tenta levantar e analisar através de relações premeditadas, isto é no papel do planejamento.

Identificar a necessidade do elemento que se está querendo introduzir no sistema deve fazer parte do planejamento, não esquecendo também de identificar qual a função que este elemento pode executar dentro do sistema e qual a sua produção prevista. Para entender esta lógica podemos apresentar o exemplo de um pé de alface como exemplo da aplicação desta lógica técnica de planejamento produtivo:

Para que a ALFACE possa se comportar naturalmente é necessário:


CARACTERÍSTICAS –                             Planta de pequeno porte
                                                            Exigente em temperatura adequada
                                                            Solo fofo e rico em matéria orgânica
                                                            Não tolera vento

NECESSIDADES –                                   Textura do solo areno-argiloso
                                                            Água de boa qualidade e em quantidade suficiente
                                                            CO² para realizar fotossíntese
                                                            Minerais os mais variados e disponíveis
                                                            Luz solar
                                                            PH entre 6,0 e 6,5
                                                            Solo úmido quase todo dia
                                                            Espaço suficiente para crescer e não estiolar
                                                            Boa bioestrutura

FUNÇÕES:                                            Alimentar seres humanos, animais e insetos polinizadores
                                                           Diversificar o ambiente
                                                           Captar energia para fotossíntese, liberando 0²
                                                           Captura de carbono
                                                           Embelezamento
                                                           Armazenar minerais e vitaminas

PRODUÇÃO:                                        Folhas comestíveis
                                                          Princípios ativos medicamentosos
                                                          Sementes
                                                          Matéria orgânica para compostagem


Precisamos saber o tempo que cada cultivo leva para proporcionar que seus produtos possam ser colhidos. E cada cultura tem seu tempo a depender também do clima de cada região. Estes dados nos ajudam a planejar o plantio para não faltar. Entre uma semeadura e outra se precisa atender a longevidade da planta e seu período de oferecer seus produtos prontos para serem colhidos.

Outros dados que precisamos saber é qual o espaço necessário para atender o crescimento das culturas. Identificar a quantidade de luz, para que a fotossíntese não pare de acontecer durante todos os momentos de presença de luz. Não podemos esquecer que 35% de sombra é um bom percentual para que as culturas possam se desenvolver naturalmente.

Seria ótimo se toda casa na zona rural ou urbana pudesse produzir parte de seu alimento de forma constante. Observe a imagem abaixo e imagine seu bairro ou comunidade rural dessa maneira. Com certeza a ida ao supermercado ou feira seria mais espaçada.



A garantia do atendimento da demanda de água é muito importante, pois todas as culturas bebem água todo o dia. Sem este liquido fica difícil a absorção dos minerais pelas raízes das plantas. A presença de água no solo facilita a formação de uma solução (mistura de água mais os minerais) que irá atender a demanda das plantas. Para melhorar o entendimento um pé de alface consome em média do dia que foi semeado até a colheita mais ou menos 12 litros de água no nordeste do Brasil. Faça agora uma comparação com outras plantas levando em conta o tamanho das demais quando comparado com um pé de alface. Lembre-se este dado é apenas um indicador aproximado de consumo, pois tudo depende do clima do manejo dado às plantas entre outros. 

Todas estas informações sobre a água é para não ocorrer surpresas de falta ou excesso durante o cultivo. A falta ou o excesso podem prejudicar todo o sistema que está sendo montado para se ter de forma quase que permanentes alimentos diários.

Todos os cálculos devem levar em conta a demanda da família em alimentos. Evite não fazer estes cálculos eles são a base para a projeção permanente.

As relações entre os elementos é outro grande segredo para ter sempre colheitas fartas e permanentes. As conexões facilitam este ter sempre. Encontrar ou identificar o que pode está junto ao mesmo tempo, ou como se diz no popular “Junto e misturado” ocupando o mesmo espaço, água, adubo e luz são estratégias fantásticas que enriquecem o planejamento. 

Outro recurso que pode ser utilizado é o de empilhamento de plantas e de tempo que nada mais é que uma das ferramentas ou estratégias para diminuir o uso do espaço e ter mais elementos neste mesmo espaço durante o mesmo uso do tempo.



Este planejamento não deve acontecer apenas na zona 01, mas também na zona 02 que é também zona de segurança alimentar para a família. Logo o pomar também deve passar por um planejamento de escolha das espécies, dos espaço disponivel e dos demais componentes produtivos que fazem parte de todo ciclo produtivo de cada espécie escolhida, além do consumo da família nestes alimentos.

Alguns indicadores técnicos quantitativos estão disponibilizados na tabela abaixo para facilitar os cálculos e projeções do tamanho da área necessária para a produção de algumas especies cultivadas pela maioria dos agricultores da nossa região e que fazem parte de seu cardápio diário.


O escalonamento das plantas deve tentar seguir a lógica natural por exemplo que as bananeiras utilizam para que não falte bananas. De tempo em tempos o pé de bananeira emite um novo perfilhamento que irá futuramente assumir a produção do cacho seguinte, após a colheita do mais maduro. Logo a lógica a ser seguida no planejamento da área é ter da mesma espécie várias plantas porém de tamanhos diferenciados garantindo desta forma que não venha faltar produção. Cabe a você descobrir qual o período de tempo que irá precisar seguir entre um plantio de uma mesma cultura para que não quebre a lógica da produção sequenciada ou escalonada.

A observação e o registro são necessários para a construção deste escalonamento ou sequencia produtiva. Se a família consome um pé de alface toda semana, ela irá precisar ter toda semana mudas de alface no tamanho ideal para ser transplantada toda semana. Um pé de tomate que passa alguns meses produzindo tomates não irá necessitar ser plantado toda semana. Se minha família consome 2 kg de macaxeira toda semana irei precisar plantar anualmente 52 covas de macaxeira, pois na minha região uma cova de macaxeira chega produzir entre 2 kg a 3 kg. Logo, se minha família consome 2 kg e um ano tem 52 semanas irei precisar plantar 52 covas de macaxeira que irá produzir em média 104 kg. Porém nunca de uma única vez, seria prudente e lógico para que toda esta produção não aconteça de uma única vez escalonar a mesma plantando a cada 4 meses 20 covas de macaxeira que vão atender a demanda dos 2 kg semanal, permitindo ainda um percentual de sobra para qualquer inconvenientes, pois necessito de 52 covas e não de 60. 


Como percebemos não é difícil e nem impossível ter seu supermercado natural garantindo toda ou uma boa parte da alimentação da família. É necessário inicialmente um pouco de esforço, mas depois que encontrar os primeiros números de quantidade de tempo entre um plantio e outro e o tamanho das áreas necessárias você terá um calendário adequado a realidade do seu clima, da sua área e da demanda de consumo da sua família. Não permita não ter e nem deixe que falte, planeje-se.


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